Stella R. Taquette

Stella R. Taquette

Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Brasil)

    Médica, com Pós-doutorado em Saúde Pública, Doutorado em Medicina, Especialização em Bioética e Ética Aplicada. Professora Titular da Universidade do Estado do Rio de Janeiro-UERJ, Brasil. Coordenadora Geral do Programa de Pós-graduação em Bioética, Ética Aplicada e Saúde Coletiva (PPGBIOS) da UERJ/UFRJ/UFF/Fiocruz e docente permanente do Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas (PGCM) da UERJ. Professora Visitante do Imperial College London. Autora do livro “Pesquisa qualitativa para todos”, no prelo, Editora Vozes (Petrópolis – Rio de Janeiro).

    CONFLITOS ÉTICOS NO DESENVOLVIMENTO DE INVESTIGAÇÕES QUALITATIVAS
    A qualidade e o valor de uma investigação qualitativa dependem do respeito aos princípios éticos durante todo o processo da pesquisa. Para isso, a justificativa do estudo deve ser útil e relevante e este ser conduzido por pesquisadores sérios, competentes, conhecedores das normas e leis. A proteção aos participantes precisa ser assegurada e estes serem informados sobre o conteúdo da pesquisa. O consentimento à participação deve ser livre, sem coerção, tendo o anonimato e a confidencialidade garantidos. Devido ao dinamismo dos estudos qualitativos, possíveis situações adversas necessitam ser previstas e prevenidas e, as imprevistas, equacionadas da melhor forma. Apesar de todos esses cuidados, circunstâncias conflituosas acontecem. Os conflitos mais comuns dizem respeito à/ao: revelação pelo pesquisado de atos criminosos/ilegais, ou de informação importante que precisa ser publicizada; desconforto/sofrimento provocado pela pesquisa no pesquisado; quebra involuntária do anonimato do pesquisado; qualidade do relacionamento entre pesquisador e seu pesquisado de forma que ao mesmo tempo em que se conquiste a confiança do participante, o investigador não venha a se colocar no papel de terapeuta ou juiz; não respeito por parte de um integrante de grupo focal às regras pactuadas provocando constrangimentos nos demais participantes; interesse pessoal do pesquisado na pesquisa; risco enfrentado pelo pesquisador na ocorrência de situações adversas como ser agredido ou roubado ou se sentir desconfortável por questões pessoais relacionadas ao tema da pesquisa; entre outras. Para lidar com situações dilemáticas não é suficiente respeitar normas éticas e ter a pesquisa aprovada por comitês e colegiados com finalidade e competência legal para isso. É preciso atuar preventivamente e agir com reflexividade durante todo o desenvolvimento da pesquisa, ou seja, examinar e reformar constantemente as próprias práticas de pesquisa de forma a dar solução aos problemas que surgem, protegendo os pesquisados, atendendo suas necessidades e respeitando seus direitos.

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    Sexta-feira 16 Jul 2021
    16:20 - 17:20

    Sessão Plenária 3

    Online